Com diálogos ácidos e brilhantes, a tragicomédia A Profissão da Sra. Warren, do irlandês Bernard Shaw, considerado um dos maiores dramaturgos de língua inglesa ganha uma nova encenação com direção de Marco Antônio Pâmio e tradução da atriz Clara Carvalho.

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Créditos: Ronaldo Gutierrez

Com direção de Marco Antônio Pâmio, A Profissão da Sra. Warren estreia no Auditório MASP dia 11 de maio.

O espetáculo estreia no Auditório MASP, no dia 11 de maio, e segue em cartaz até 1º de julho, com sessões às sextas e aos sábados, às 21h, e aos domingos, às 20h.

A trama começa em uma casa de campo em Surrey, que a jovem e inteligente Vivie Warren (Karen Coelho) alugou para estudar direito. Com apenas 22 anos, a menina foi criada longe de casa e estudou nos melhores colégios e frequenta a Universidade de Cambridge. Por isso, ela não conviveu com a mãe, Sra Warren (Clara Carvalho).

Entre discussões fervorosas e bem-humoradas sobre o enriquecimento, a hipocrisia social e os paradoxos morais, a filha descobre que sua educação refinada foi financiada por uma rede internacional de bordéis comandada pela Sra. Warren. A mãe entrou para essa vida por necessidade, mas, no final das contas, torna-se uma bem-sucedida empresária do ramo e trabalha por puro prazer.

Escrita entre 1893 e 1894, “A Profissão da Sra. Warren” foi proibida de ser encenada na Inglaterra e nos Estados Unidos no começo do Século 20. “A peça tem um caráter transgressor, com discussões muito à frente de seu tempo, principalmente no que tange ao papel da mulher na sociedade. Shaw nos fala do hoje tão discutido ‘empoderamento feminino’ quando esse tipo de debate era impensável na época. Ele nos fala de ‘uma nova mulher’: independente, ‘dona do seu nariz’, com opinião e personalidade próprias. Na época da peça, as mulheres sequer podiam votar”, comenta Pâmio.

A montagem assume a opção estética de deslocar a ambientação da trama, que foi escrita na última década do século 19, para os anos de 1950. “Manter a encenação fiel à época original nos faria correr o risco de soar anacrônicos diante de tantas conquistas da mulher durante este século e pouco que nos separa da época em que a peça foi escrita e os dias de hoje. Trazer a história para a atualidade também soaria estranho. Assim, a década de 1950 nos situa nesse terreno intermediário, quase ‘pré-feminista’. Estamos falando de assuntos bastante espinhosos, mas ainda num contexto ‘de época’", acrescenta.

Sobre Bernard Shaw

Considerado um dos mais importantes dramaturgos de língua inglesa, George Bernard Shaw (1856-1950) é autor de 60 peças, entre elas “Pigmalião”, “Cândida”, “César e Cleópatra”, “O Dilema do Médico”, “O Homem do Destino”, “Volta a Matusalém” e “A Milionária”. Ao longo de sua carreira, encerrada aos 94 anos, ele também trabalhou como jornalista, romancista, crítico de música e teatral e ensaísta.

Avesso a honrarias públicas, Shaw foi, ironicamente, a única pessoa a ter sido premiada com o Nobel de Literatura (1925, por “Santa Joana”) e com o Oscar de melhor roteiro por “Pigmaleão” (1939). Ele aceitou o primeiro prêmio unicamente por insistência de sua esposa, mas, mesmo assim, destinou toda a quantia recebida para a tradução e a difusão das obras de Henrik Ibsen e outros autores escandinavos.

Como crítico teatral, atacou a “bardolatria”, a excessiva reverência à genialidade de Shakespeare. Segundo Shaw, ela paralisava a cena inglesa, restando apenas versões romantizadas das obras do bardo, ou, ainda, dramalhões superficiais criados segundo os ditames da peça bem-feita.

Fundou a Sociedade Fabiana, o Partido Trabalhista inglês e a London School of Economics, até hoje um dos mais prestigiados centros de ensino do mundo.

Sobre Marco Antônio Pâmio

O diretor Marco Antônio Pâmio estudou no Centro de Pesquisa Teatral (CPT) e no Drama Studio London, na Inglaterra. Logo em sua estreia nos palcos, ao atuar na peça “Romeu e Julieta” (1984), de William Shakespeare, com direção por Antunes Filho, recebeu o prêmio APCA na categoria “ator-revelação” no papel de Romeu.

Pâmio foi agraciado com esse prêmio em outras duas ocasiões: em 2006, pela atuação em “Edmond”, de David Mamet; e em 2014, pela direção de “Assim É (Se lhe Parece)”, de Luigi Pirandello. Ele também já foi indicado pela crítica aos prêmios Shell, Aplauso Brasil e Mambembe.

Alguns de seus trabalhos mais recentes como diretor são “Baixa Terapia” (2017), de Matías Del Federico; “Noites Sem Fim” (2016), de Chloë Moss; “Playground” (2016), de Rajiv Joseph; “Consertando Frank” (2015), de Ken Hanes; e “Propriedades Condenadas” (2014), de Tennessee Williams.

11 Mai
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De 11/05 a 01/06:  Domingos às 20:00  Sextas e  Sábados das 21:00 às 22:30

Auditório do MASP
Avenida Paulista, 1578 Bela Vista São Paulo - SP
Estação Trianon-Masp (Metrô - Linha 2 Verde)

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